
Creio que nunca esqueceremos este ano de 2020: Época em que o destino brincou de “roleta russa” com as nossas vidas. Período de limitações, medo e aprendizado. Ano que veio corroborar o quanto somos diferentes uns dos outros. O quanto nossas visões de mundo divergem. O quanto o nosso cotidiano vai sendo tramado sem levar em conta nossos desejos, nossas preces ou nossos esforços. Repentinamente, um vírus desconhecido e invisível chega e nos coloca frente a frente com nossos temores, nossas angustias, nossa fé ou falta dela, nosso amor ao próximo, nossa resiliência, nossos apegos, nossas escolhas, mas, principalmente, frente a frente conosco. Afastados de nossas rotinas de trabalho, proibidos do contato social com familiares e amigos, presos entre as quatro paredes de nossos lares, nunca a realidade virtual conseguiu nos testar assim, enquanto povos do mundo.
Mas, a realidade virtual não é a realidade. Ela é apenas mais uma ilusão que atenua, mas não nos livra da experiência coletiva de solidão, de alijamento, de introspecção e de autoconhecimento. Nós estamos, de fato, fazendo um jogo da verdade com apenas um participante e o espelho da alma.
Quais serão os resultados? Nós nos tornaremos pessoas melhores? Mais fraternas, mais confiantes nos desígnios da Força da Vida que nos habita? Teremos a coragem de dizer as palavras: “Pai, faça-se a sua vontade e não a minha?” reconhecendo que nada podemos frente a nossa finitude? Que tudo que é material tem prazo de validade, sejam as vidas humanas, sejam nossos bens, seja o próprio planeta que habitamos?
Nunca, como agora, a lição de que a vida é o Eterno Presente foi-nos apresentada com tamanha intensidade e exemplos. Como cada um passará por este aprendizado será um percurso individual e único e nós mesmos seremos os nossos juízes.