Cinco motivos para sentir saudades do Maksoud Plaza Hotel

A notícia do fechamento do Hotel Maksoud Plaza, em 7 de dezembro de 2021, pegou a todos de surpresa, apesar das dificuldades pelas quais esse ícone da hotelaria paulistana estava passando há mais de uma década, com litígios societários, passivos trabalhistas e dívidas com fornecedores.

Com a pandemia, o hotel chegou a ficar por seis meses fechado ao longo de 2020. Apesar da retomada parcial do turismo em 2021, a taxa média de ocupação do hotel estava em torno de 20%, pouco para pagar o passivo e bancar a operação do dia a dia de um hotel cinco estrelas.

Alguns dizem que o Maksoud poderá até voltar à ativa no futuro, talvez em outro endereço. Mas nada substituirá o lendário hotel que funcionou durante 42 anos a uma quadra da avenida Paulista, e que atendeu a mais de 3 milhões de hóspedes. Isso porque o Maksoud Plaza não foi apenas um hotel, e sim um projeto pensado em cada detalhe para encantar o público. Seria o primeiro hotel cinco estrelas do Brasil. Abaixo, cinco motivos para ter saudades do Maksoud Plaza:

Arquitetura única – O arquiteto Paulo Lucio de Brito era funcionário da Hidroservice Engenharia, fundada em 1958 pelo patriarca Henry Maksoud e que participou de obras como a da usina de Itaipu. Brito tinha desenhado e executado a obra da sede da Hidroservice em São Paulo. Maksoud gostou e encomendou um hotel cinco estrelas ao então jovem arquiteto. Queria um espaço interno generoso. Brito foi aos Estados Unidos para conferir dois hotéis com essa característica, usou algumas ideias no espaço que tinha no terreno da Bela Vista e as obras começaram, em 1976. Ali nasceu a marca registrada do Maksoud, um átrio imponente como recepção, algo inédito no Brasil, com 70 metros de altura, em 24 andares de quartos em apenas duas das quatro faces do prédio. Iluminação natural, jardim suspenso, fonte de espelho d’água e elevadores panorâmicos, um assombro à época, deram o toque final.

Arte em todos os cantos – A decoração do Maksoud é luxuosa e repleta de obras de arte de artistas consagrados. Destaque para a escultura “Espaço Sideral”, feita em alumínio, com 40 metros de altura, do teto ao chafariz do átrio. Maria Bonomi, Aldemir Martins, Volpi, Marysia Portinari, Tomie Ohtake e Emanoel Araújo decoram ou já decoraram o interior do prédio. Mais recente é a Suíte Dreams 2117, que em seus nove cômodos e 126 metros quadrados, propõe uma experiência multisensorial, concebida pelo artista plástico Felipe Morozini. Outro ponto de destaque no hotel é o seu mobiliário dos anos 1950, uma relíquia que agora não estará mais disponível para o uso público.

Os melhores shows – A galeria dos músicos nacionais e internacionais que se apresentaram no Maksoud Plaza é antológica, a começar pelas quatro apresentações de Frank Sinatra no Teatro Maksoud, o que foi considerado o show do ano em São Paulo. O já saudoso hotel também trouxe outros nomes famosos da cena internacional, como Michel Legrand, George Shearing, Joe Willians, Billie Eckstine, Julio Iglesias, Sammy Davis Jr., Alberta Hunter, Bobby Short, Buddy Guy, Sadao Watanabe e o grupo californiano The Mamas & The Papas. Michael Jackson, Ray Charles, Kurt Cobain e as bandas Guns N’ Roses e Rolling Stones passaram pelo hotel somente como hóspedes. Entre as celebridades brasileiras que fizeram shows estiveram Tom Jobim, Clara Nunes, Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Toquinho, Martinho da Vila, MPB-4, Leny Andrade e Tim Maia, entre outros.

Um polo cultural – Além de todos os seus atributos, o Maksoud Plaza também foi um polo das artes cênicas com o seu charmoso Teatro Maksoud Plaza, de apenas 400 lugares, mas de muitas histórias. Shows musicais como o de Frank Sinatra, em 1981, se deram ali, mas as encenações teatrais fizeram dele um polo de cultura em São Paulo, com peças como: Amores de Tennessee Williams (direção de Kiko Jaess), Coração na Boca (Sergio Mamberti), Divina Sarah (João Bethencourt), Louco Circo do Desejo (Vladimir Capela) e Voz do Brasil (Jairo Arco e Flexa).

Ponto de encontro – A arquitetura aberta para a rua era um convite a entrar no Maksoud Plaza, e uma vez em seu interior, ficava fácil descobrir o motivo de ser um ponto de encontro na cidade. Em seus tempos áureos, o hotel teve cinco restaurantes funcionando ao mesmo tempo, entre eles o francês La Cuisine du Soleil, inaugurado pela lenda da “nouvelle cuisine” Roger Vergé. O clube noturno PaNam e o Frank Bar (nome em homenagem a Sinatra) eram lugares badalados. O Frank Bar foi durante muitos anos listado entre os 50 melhores bares do mundo. E como não lembrar do 150 Night Club, que durante cinco anos foi o palco de shows musicais acompanhados da qualidade de atendimento que só um cinco estrelas poderia proporcionar.

O fechamento do Hotel Maksoud Plaza aposenta um ícone de São Paulo e do Brasil. Sua história, seus eventos, seus personagens e personalidades, entretanto, ficarão guardados para sempre na história.

Juliana Vilela

Proprietária da agência Efettiva Comunicação e Eventos

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E-mail: juliana@efettiva.com.br

Empreendedora do setor de eventos há mais de 10 anos, Juliana Vilela é proprietária da Efettiva Comunicação e Eventos, agência com destacada atuação no segmento de organização de eventos corporativos e de entretenimento, com expertise na realização de eventos nos mais diversos setores. É fundadora do SindiMais um dos maiores eventos do ano para instituições que reúne profissionais de relações trabalhistas, sindicais e de RH de todo o Brasil e da Weduc, uma escola de negócios que oferece cursos de forma online e descomplicada. Foi vice-presidente de Inovação e Qualificação da ABEOC Brasil – Associação Brasileira de Empresas de Eventos. É formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada em Planejamento e Organização de Eventos, pela FAAP.